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ACREDITAR. Um verbo que se tornou "viral". Acreditar é uma espécie de talismã, um baralho de cartas marcadas e guardadas na manga de umas tantas pessoas exaltadas que "não acreditam em nada". Diz-se muito por aí: "eu cá, não acredito em políticos", ou "ninguém acredita no governo" (vide Pacheco Pereira, recentemente) como se o exercício da política fosse uma religião, e os homens e mulheres da política estátuas de santos milagreiros. Parece que tudo se resume a esta dicotomia do acreditar/não acreditar. 

Suponho que - mas posso estar enganada - "acreditar" esteja ligado à Fé e seja uma prerrogativa dos que crêem em algo superior, divino, do pelouro da metafísica. Algo inexplicável, portanto. Acreditar no que depende das acções de mulheres e de homens mais do que banais, não é nada, para mim. Não é racional. Não é uma atitude baseada na informação, no estudo, na pesquisa, no pensamento. Não é um exercício que obtenha resultados. Não é um trabalho mental de quem pratica a vasta "tradição" do pensamento, da filosofia.

Para além disso, acredita-se muito (ou não) mas exige-se pouco. Quando as coisas correm para o torto, deixamos de "acreditar" e atiramos a toalha ao chão. Quando um clube de futebol vai jogar, os adeptos "acreditam" na vitória. Se o clube perde, deixam de "acreditar" nos treinadores, nos jogadores, nos árbitros, etc. O deixar de "acreditar" leva a outro estádio, o da "desconfiança": as pessoas passam a "desconfiar" de tudo e de todos, enredam-se em teorias da conspiração, vivem em sobressalto, têm medo. É sempre preferível "acreditar" – ou "não acreditar" – porque é um exercício que exige pouco esforço e fica sempre bem.

Se não acontece aquilo em que acreditam, as pessoas continuam a acreditar (ou não), de preferência sem mexerem uma palha. Algumas pessoas acham que acreditam com força e bem, acumulando culpas por não terem acreditado com força suficiente, ou seja, "acreditam" que houve falhas na sua "fé" ou, rapidamente, colocam o ónus das derrotas em algo ou alguém exterior a si próprios, num passe de mágica que os "purifica". Os jornalistas passam a vida a fazer perguntas do género: "acredita que vai haver um 2º resgate? Acredita que o Tribunal Constitucional vai vetar isto ou aquilo? Acredita que o deficit vai subir/baixar? Acredita que este/aquela político/a é corrupta/o?

Somos realmente um País de fés, de milagres e de ilusionistas. Não admira que os aldrabões triunfem, que os vendedores de banha da cobra façam fortunas. Foi por "acreditar" em gente como Passos Coelho ou Portas ou Cavaco que estamos nesta embrulhada. Ao fim e ao cabo, só precisaram de fazer com que as pessoas "acreditassem" neles (as).

E reparem: quando as pessoas deixaram de "acreditar", ficou tudo exactamente na mesma. 

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